No dia 22 de maio de 1966, o jornal “Diário de Notícias” publicou na página 3 uma matéria com o seguinte título: “Nara é de opinião: esse Exército não vale nada”. Com 24 anos na época, Nara Leão não era qualquer pessoa. Uma das expoentes da bossa nova, a cantora tinha brigado com meio mundo para gravar sambas de compositores das favelas cariocas em seu disco de estreia. Na entrevista, em meio ao regime militar, Nara não poupou os militares: os “generais podiam entender de canhão e de metralhadora, mas não pescavam nada de política” e ainda pedia a extinção do Exército. Em seu novo livro, “Ninguém pode com Nara Leão”, o jornalista Tom Cardoso conta essa e muitas outras histórias a respeito de uma das principais vozes do nosso país. Nara Leão nasceu em 1942 e nos anos cinquenta se tornou um dos principais nomes da bossa nova. O gênero, que iria se tornar um patrimônio cultural, nasceu no apartamento que Nara morava com os pais, em Copacabana. O livro conta que o pai dela, o advog...