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Hermeto Pascoal, o louco albino brasileiro

David Block se aventura no excêntrico mundo musical do intuitivo multi-instrumentista que se tornou uma lenda do jazz mundial quando tocou no disco de 1970 Live-Evil de Miles Davis Hermeto Pascoal é um enigma. Ele cria música de qualquer objeto que ele consegue colocar as mãos, de sua barba até seu garfo e faca. Ele também é legalmente cego. “Eu sei que ele consegue reconhecer uma pessoa de uma distância de 2 metros”, disse Bill Smith, presidente/dono da agência de talentos Riot Artists, que também trabalhou com ele nos últimos doze anos.          Smith e Jovino Santos Neto, que foi parte da banda de Hermeto entre os anos de 1977 e 1992, conheceram o músico e viram facetas dele que o fã comum pode não conhecer. Ambos foram bondosos o suficiente em compartilhar suas experiências trabalhando com Pascoal para esse artigo.          Hermeto Pascoal nasceu no dia 22 de junho de 1936 na pequena ...

A excelente safra musical de 1994

O ano de 1994 com certeza foi um dos mais importantes da década de noventa, principalmente no Brasil. O plano real foi aprovado, Ayrton Senna nos deixou, a seleção canarinha venceu a Copa do Mundo dos Estados Unidos, se tornado a primeira tetra campeão do torneio. Enfim, um ano extremamente agitado. Mas o meu papo aqui vai ficar na música e os excelentes discos lançados neste ano e que completam 25 anos em 2019. Dessa forma, compilei uma lista de quatro álbuns que você, amigo leitor, deveria parar o que está fazendo e ir atrás deles. Vamos a lista: MTV Unplugged in New York – Nirvana Gravado em 1993, e lançado um ano depois, a principal banda dos anos noventa deixou as guitarras de lado e ficou acústica durante uma noite em Nova Iorque. Com um cenário fúnebre, igual ao de um velório, exatamente como Cobain queria, o Nirvana gravou um dos melhores acústicos de toda a história. É possível escutar e sentir na voz de Kurt o anseio e dor de uma geração inteira. Com covers do...

O dia em que Jards Macalé revirou o meu cérebro

Há alguns anos atrás, acredito que foi no final de 2017, eu fui assistir ao show solo do novo queridinho da turma indie, o Tim Bernardes da banda Terno. Na ocasião ele tocou no auditório do MASP na capital paulista. O show foi repleto de músicas do disco que ele estava lançado, o ótimo Recomeçar (2017), e de covers, incluindo uma que chamou muito a minha atenção, “Soluços” de um tal de Jards Macalé. Obviamente que quando eu cheguei em casa fui atrás de mais informações sobre esse cara e colocar um rosto nesse nome. Na minha breve pesquisa descobri que ele nasceu em 3 de março de 1943 no bairro da Tijuca na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Ganhou notoriedade nos anos sessenta quando nomes do quilate de Elisete Cardoso e Nara Leão gravaram composições suas e quando ele, no início da década de setenta, trabalhou com a fantástica Gal Costa e com o genial Caetano Veloso. Uma observação pessoal, fiquei surpreso ao saber que ele fazia parte da banda que gravou o meu disc...

Para ler, ver e ouvir no final de semana #2 – Drauzio Varella, black midi e Pavement

Para ler: Correr: O exercício, a cidade e o desafio da maratona (Drauzio Varella) Qual louco no universo inteiro iria começar a correr maratonas com 50 anos de idade? Bem, esse louco atende pelo nome de Drauzio Varella. Lançado em 2015, o midiático médico conta nesta obra como foi o processo de começar a correr maratonas com cinco décadas de vida nas costas. Drauzio tenta de forma muito bacana neste livro transmitir todas as dificuldades e alegrias em virar um maratonista. Os perengues são vários. Logo no início do livro ele fala de uma maratona que ele correu em Blumenau que faria qualquer pessoa desistir da ideia de correr 42 quilómetros, principalmente se você já passou dos 50. Porém, contudo, entretanto, todavia, as alegrias que ele conta são várias em mais de 200 páginas. As pessoas que ele ao longo do tempo teve o prazer em conhecer são várias e renderam ótimas histórias. Existe uma em particular, a de um rapaz que ele encontrou em frente à boate Love Story em São...

Para ler, ver e ouvir no final de semana #1 – Kim Gordon, Special e Terno Rei

Para ler: A garota da banda (Kim Gordon) Apesar de ter encerrado as atividades em 2011, com seu último show aqui no Brasil, o Sonic Youth continua sendo uma das bandas mais originais que já surgiram na música. Formada no começo dos anos oitenta em Nova Iorque, o grupo antecipou muito da sonoridade que o Nirvana depois construiria sua curta carreira. Um dos nomes mais importantes do grupo é a artista Kim Gordon. Sim, artista. Em seu livro de memorias lançado aqui no Brasil em 2015 pelo nome de “A garota da banda”, é possível perceber que Kim não foi apenas a baixista e vocalista do Sonic Youth, ela também é pintora, escritora, enfim, uma artista. Em quase 300 páginas, a nova-iorquina de 66 anos conta muito do que os fãs do quarteto sempre quiserem saber, os perrengues no início de carreira, como os principais discos foram construídos, o que influenciou o som ímpar da banda, seus projetos paralelos e principalmente o fim do Sonic. Talvez esse seja o tema mais interessante...

O lado instigado da lua na Virada Cultural

Todo fã que se preze do Pink Floyd conhece a história de que o disco The Dark Side of The Moon (1973) tocado simultaneamente com o filme O Mágico de Oz (1939) se encaixam em diversos momentos, seja pelas letras das músicas ou pela sincronia audiovisual. Aqueles que já fizeram a experiência sabem que isso é verdade e não mito. Segundo os integrantes da banda, nada disso foi proposital. De acordo com o baterista da banda Nick Mason, “algum cara com muito tempo livre teve essa ideia de combinar os dois. ” Apesar de não ter sido proposital, a coincidência é muito surreal. Não é preciso de uma “ajudinha química” para perceber a sincronia quando Dorothy balança em cima do muro e o verso de “Breathe” canta “balançando na maior onda. ” Mas por qual diabos isso tem a ver com a Virada Cultural que ocorreu em São Paulo entre os dias 18 e 19 de maio? Como parte da programação, a banda de Fortaleza Cidadão Instigado executou no domingo (19) o repertorio do disco com a ex...

O jazz sobrevive muito bem, sim, senhor

Miles Davis, John Coltrane, Chet Baker, Charlie Parker, Thelonious Monk, Louis Armstrong, quem gosta de jazz não discute que esses, entre outros grandes nomes, são a nata do jazz. Porém, a maioria dessa grande turma já descansa em paz ou, aqueles que ainda seguem na ativa, entram cada vez menos em turnê. Dessa forma, eu elaborei uma lista de quatro nomes, dois nacionais e dois internacionais, de bandas e músicos que desenvolvem na atualidade um jazz de ótima qualidade. Formado por volta de 2010, os paulistas do Bixiga 70 misturam diversos tipos de música (africana, ritmos latinos, jazz, etc.). Com uma trupe de 10 integrantes, a banda ao vivo faz um dos melhores shows instrumentais da atualidade. Não importa onde for, não é possível ficar parado ao som desses caras. O último disco deles, “Quebra-Cabeça”, lançado no ano passado e considerado por diversos críticos como um dos principais lançamentos do ano, é uma ótima porta de entrada para o som deles. Nascido em Rec...